Eu já sabia


Altitude x Atitude (e bom futebol!!!)

 

Quando eu falei pros caras aqui que o time do Equador ia dar trabalho, eles não acreditaram. Já faz tempo que Quito deixou de ser o melhor jogador da equipe. Hoje eles têm um time sólido, com jogadores rápidos, eficientes e experientes em todos os setores do campo.

 

Confesso que nunca esperava ver algo tão brilhante, como foi o triunfo de hoje contra a Costa Rica. É um daqueles momentos da Copa do Mundo que a gente tem parar e refletir pra ver o porquê desse time ter ficado tão bom de uma hora para outra. Assistindo os dois jogos com atenção (sim, estou assitindo e gravando a todos os jogos!!!), acredito agora que são três as principais razões desse pulo da seleção equatoriana.

 

1 – Velocidade nas laterais e precisão (absurda!!!) nos cruzamentos. Lado esquerdo à parte (eles são eficientes, mas o nível não é o mesmo dos companheiros destros), a ala direita do Equador é rápida, inteligente e talentosa. O trio formado pelos meias Valencia e Mendez e o lateral De la Cruz produziu os melhores momentos do time na Copa. Destaque para De la Cruz (Aston Vila), uma surpresa pra mim. Nunca tinha ouvido falar dele como jogador de clube. Somente nas eliminatórias mesmo, mas mesmo assim nunca me impressionou. Estava dando uma olhada no site do Aston Vila e o cara é ídolo por lá (“multi-skilled equatorian talent”), mesmo não parecendo ser titular absoluto (nas fichas que olhei, eles contava em metade apenas - talvez estivesse contundido, não sei...). Pelo que apresentou até aqui na Copa, tem espaço na maioria dos grandes times do mundo.

 

2 – Organização tática. Não sei se vai ser o mesmo contra a Alemanha, mas prestem atenção em como o Equador joga como se estivesse em dois campos ao mesmo tempo – um de futsal e um de futebol. Joel Santana pode não ser o técnico dos sonhos, mas a simplicidade de seus esquemas táticos tem como base a diferenciação do jogo em espaços curtos e longos. É exatamente como funciona o Equador. No espaço curto, triângulos são formados pelos três atletas mais próximos do setor onde está a bola. Trocam-se dois-três passes de segurança, sem risco de erro, geralmente para  o lado e para longe do zegueiro, e então abre-se a jogada para um outro flanco do campo, agora com os atletas com mais espaço para utilizar a velocidade nas alas. E mais, quase nunca a jogada é feita pelo meio. Resultado: quado erra, o time não é contra-atacado com facilidade. Foi assim que Joel Santana construiu sua carreira e é assim que funciona a equipe comandada pelo colombiano e estreante em Copas do Mundo, Luiz Suarez.

 

3 – Experiência. O time não perdeu controle um segundo sequer durante seus primeiros dois jogos. Isso é fruto de um trabalho coletivo e da confiança conquistada após o primeiro gol, mas também é muito em função do talento de Tenório, Delgado e Hurtado, balanceados perfeitamente um em cada setor da equipe (ataque, meio e defesa, respectivamente). Nada de empolgação excessiva com os gols, nada de desespero nos momentos (raros até aqui) de pressão do adversário.

 

Soma-se a tudo isso também o fato do time nunca marcar em linha e estar distribuído por todo o campo, sempre que possível, marcando por pressão (em menor escala, como o Barcelona). Espero não quebrar a cara contra a Alemanha, mas não vejo a hipótese desse time ser derrotado com facilidade por qualquer adversário na Copa. Ah, e pra não dizer que não comparei com o Brasil, eu queria, queria mesmo, que metade dos jogadores da seleção jogassem com o brio e com a genuína vontade com a qual o Equador atua. Como se todo minuto na Copa, fosse o último de um sonho se tornando realidade.



Escrito por luteles às 12h58
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Cadê o pára-choque?

 

Aqui em Montreal, quando a beleza do futebol de Ronaldinho é exaltada, os elogios vêm sempre acompanhados de uma frase: ‘e além disso ele só joga sorrindo’. Nada que nenhum brasileiro não houvesse notado antes, mas aqui se dá uma importância muito grande para isso. E acho que eles têm razão…

 

Sempre brinquei com o pessoal daqui que 90% do motivo dele jogar sorrindo seria o avantajado para-choque, mas depois da estréia contra a Croácia, minha piada já não faz mais graça, porque o gaúcho passou os 90 minutos mais emburrado do que Eliano em dia de ‘piti’ no nosso baba.

 

Ronaldinho já declarou que será um jogador sério na Copa e que as brincadeiras serão deixadas para uma outra competição. O problema não é o fim de seus malabarismos com a bola ou das jogadas de efeitos ‘desnecessárias’ (???!!!!), mas a pressão que ele impõe a si de provar para o mundo o que ele não precisa: que é um dos melhores jogadores de todos os tempos.

 

Voltando ao assunto do texto anterior, Ronaldinho está sobrecarregado na armação das jogadas e extremamente limitado por conta da movimentação dos atacantes e de sua obrigação excessiva de marcar.  E por mais perfeito que ele tente ser como um jogador de perfil ‘eficiente-voluntarioso-e-de-equipe’, não vai conseguir exibir na Copa metade do que faz no time catalão.

 

E o sorriso?!!! E o que tem a ver o sorriso com isso, já que o problema é tático. Nada. Só que eu queria vê-lo sorrindo na seleção também. Vocês me conhecem : sou fã do futebol defensivo, de contra-ataques e organizado, mas tô de saco cheio de cara-feia e burocracia burra na seleção na hora de jogar futebol. E daqui de longe, ver Ronaldinho com o pára-choque a mostra mesmo após tomar cinco sarrafadas seguidas de um brutamonte, é algo tão belo quanto seus momentos mais talentosos com a bola. Que domingo, contra a Austrália, a coisa mude.



Escrito por luteles às 00h11
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Cansei… Não apenas do mediano futebol da seleção, mas também de ficar tanto tempo sem comentar uma partida de futebol. Decidi escrever, ainda que em breves linhas, sobre o time do Parreira (porque é sobretudo dele!!!)  e sua odisséia na Alemanha.

 

Geometria mágica

 

Foi o técnico da seleção quem inaugurou a nova nomenclatura do ataque brasileiro, e ao chamar ‘Ronaldo-Adriano-Kaká-Ronaldinho’ de quadrado mágico, o treinador escorregou naquilo que sempre teve de mais positivo em sua carreira : a prudência. Criou para si uma prisão e agora enfrenta difículdades para sair dela. Tudo porque, no meu entender, ele pode até ter acertado quando optou por um quadrilátero, mas errou no tipo geométrico.

O ‘quadrado’ do ‘professor’ falha feio na prática. Quando ele fucionou, na Copa das Confederações, não era um quadrado, mas sim um losango. O centroavante, único e fixo lá na frente era Adriano, enquanto Ronaldinho e Robinho faziam um meio-caminho entre Kaká e o grandalhão (e habilidoso, diga-se) artilheiro da Inter de Milão. Após o fim daquele torneio, Ronaldo ganhou o lugar de Robinho e hoje não existe mais jogadores que funcionem como um ponto de transição para o mais completo atleta da equipe, autor do belíssimo e solitário gol na vitória sobre a Croácia.

Teoricamente, dois centroavantes (de estilos diferentes, mas centroavantes natos) dariam a Ronaldinho Gaúcho mais liberdade ofensiva em termos de movimentação. Não ficaria vinculado apenas a um lado do campo, mas poderia cair pelas duas pontas, como faz no Barcelona e como tentou fazer ontem na estréia da seleção. Só que nem Adriano, muito menos Ronaldo ajudam na marcação. Nem fazem sombra, tão pouco ‘ocupam espaços’, como pede o Parreira, situação que obriga o bicampeão da chuteira de ouro a atuar recuado e demasiadamente preocupado com os avanços dos defensores adversários.

Parreira tem duas opções para solucionar esse problema. A primeira seria sacar um dos centroavantes e promover a entrada de Robinho na equipe, retornando ao eficiente esquema que deu ao Brasil o título da Copa das Confederações jogando um futebol perto do brilhante em alguns momentos.

A segunda saída envolveria uma alteração geométrica na seleção. Seria o fim do quadrilátero e o início da era pentagonal. Nesta hipótese, a bola da vez seria Juninho e mais uma vez um dos centroavantes teria que ser sacrificado. A função de alimentar o ataque seria compartilhada pelos multifuncionais Juninho, Zé Roberto e Kaká. Ronaldinho teria mais liberdade ofensiva e o Brasil continuaria com seu matador lá na frente. Não tenho dúvidas que o time ganharia em organização e velocidade nos contra-ataques, sem contar o indescritível talento do meia do Lyon para cobrar faltas.

Que fique bem claro que a seleção tem outros problemas, como a pouca eficiência de Emerson em sua principal função, ou a decadência escancarada dos nossos laterais, mas não resta dúvidas para mim que Parreira está preso a sua promessa geométrica e se ele quiser parar de ver o sol nascer ‘quadrado’ (esse trocadilho ficou horrível, mas vai assim mesmo, ehhe), vai ter que abrir mão de um medalhão.



Escrito por luteles às 00h39
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